lunes, 17 de agosto de 2009

Acordo para ensino de espanhol é criticado

Vejam a materia publicado em O Estado de S Paulo sobre o acordo entre o MEC e IC

Parceria do MEC com instituto é alvo de manifesto de professores

Simone Iwasso escreve para "O Estado de SP":

Professores de universidades públicas do País fizeram um manifesto conjunto em que criticam um acordo assinado entre o Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Cervantes para o ensino de espanhol na rede pública, idioma obrigatório no ensino médio e facultativo no fundamental a partir do ano que vem. O argumento deles é de que o Cervantes não é uma instituição de ensino regular no Brasil e o curso a ser implantado teria currículo precário, preparado sem levar em conta as pesquisas desenvolvidas pelas maiores instituições de ensino.

O acordo, assinado no início do mês, prevê a aplicação piloto dos programas Hola Amigos e AVE, disponibilizados pelo instituto. Serão capacitados 30 professores, de todos os Estados, para trabalhar como tutores a distância na formação de 600 alunos - 400 do ensino fundamental e 200 do médio. O objetivo é fazer um teste de metodologia e tecnologia de ensino para, caso sejam bem sucedidas, poder ampliá-las.

"Não entendemos por que usar metodologia baseada nos princípios de ensino de idiomas da União Europeia, que não tem nada a ver com a realidade do Brasil. Temos muitas pesquisas sobre ensino de espanhol em nossas universidades", afirma Adrián Pablo Fanjul, professor de espanhol da Universidade de São Paulo (USP) e vice-presidente da Associação de Professores de Espanhol do Estado de São Paulo.

"O que está acontecendo é que se pensou uma lei sem analisar as formas de implementação dela. Agora, ninguém sabe o que fazer", diz Fernanda Castelano Rodrigues, professora de espanhol da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Procurado pela reportagem, o Instituto Cervantes, não se pronunciou.Na avaliação do ministério, a polêmica é fruto de uma confusão das entidades. "Creio que houve um mal-entendido. Reconhecemos que as universidades brasileiras são as responsáveis pela formação dos professores. Mas o acordo não trata disso", explica Carlos Eduardo Bielschowsky, secretário de educação a distância do MEC. "O Cervantes está oferecendo material e vamos aplicá-lo para testar a metodologia."

Segundo Bielschowsky, a metodologia será disponibilizada para uso das redes como ferramenta adicional para o ensino da língua, assim como já são disponibilizados alguns recursos educacionais de multimídia. Além disso, o MEC também deverá utilizar ferramentas de outras instituições.

Em 2006, polêmica semelhante ocorreu em São Paulo. À época, a Secretaria de Estado da Educação assinou convênio com o Cervantes. A então secretária da Educação Maria Lúcia Vasconcelos disse que o objetivo era ensinar espanhol aos professores, e não habilitá-los para dar aulas. Houve críticas das universidades estaduais (USP, Unesp e Unicamp) e o projeto chegou a ser suspenso. Em 2008, foi reformulado e retomado em parceria com a Universidade de Brasília.

Oferta da disciplina será obrigatória em 2010, mas há falta de professores

A seis meses de sua implementação total, a Lei Federal nº 11.161, sancionada em 2005 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, encontra poucas possibilidades de ser colocada em prática em todas as redes de ensino do País.

Ela obriga que as escolas ofereçam aulas de espanhol, com matrícula facultativa, para os alunos do ensino médio. Para os estudantes de 5ª a 8ª séries do fundamental, é facultativa a oferta das aulas.

Nas redes públicas, o ensino deverá ser no horário regular de aula. O processo de implantação foi gradativo desde 2005, mas deve estar disponível em todas as redes a partir de 2010.

Segundo dados do próprio Ministério da Educação, apenas 15% dos alunos do ensino médio têm aulas do idioma atualmente. Entre estudantes das escolas particulares, o índice fica em 51%. Nas escolas públicas, são 11%.

Déficit

Não há professores de espanhol formados em número suficiente para atender a demanda e os Estados ainda não criaram políticas de formação nem abriram concursos públicos.

Além disso, muitas redes ainda têm dúvidas sobre a oferta do idioma. O Ministério da Educação elaborou um documento que esclarece o tema. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) prevê o ensino de um idioma estrangeiro no ensino básico. Em praticamente todas as escolas, acabou sendo o inglês esse idioma.

Com a Lei 11.161, o espanhol se tornou uma segunda língua estrangeira obrigatória. Na prática, escolas que já oferecem inglês, devem oferecer espanhol de maneira facultativa.

O Estado de SP, 17 ago. 2009. Disponível em: <http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=65419>. Acesso em 17 ago. 2009.


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